PROJETO JOIA


Cresci ouvindo dizer o clássico que, entre todas as benfeitorias que um homem pudesse fazer, ele teria que, ao longo de sua vida, escrever um livro, fazer neném e plantar uma árvore, para que se sentisse plenamente realizado.
O projeto do plantio da árvore, comecei a esboçá-lo após o nascimento do Breno, meu filho caçula, ao me inspirar num garoto de cinco anos de idade que se encontrava hospedado no hotel e ia deixando suas marcas por todos os cantos do prédio por onde ele passava. Ele tinha a mesma idade e a mesma peraltice do Guilherme — meu outro filho —, de ficar de cabeça pra baixo, apoiar as mãos no chão e apoiar os pés na parede — onde ficavam suas marcas. No hotel, a mãe daquele garoto vivia repreendendo-o:
— Menino, já te falei pra não fazer isso. Pare de plantar bananeiras!
O meu projeto era que, quando eu e minha família mudássemos pra uma casa com um quintal mais amplo, eu arrumaria uma muda de árvore pra mim e mais outras pra cada uma das crianças. Cada qual plantaria e cuidaria da sua, regando-a diariamente e batizando-a com um nome de suas preferências.
Haveria uma “competição” pra ver quem cuidava melhor de sua planta pra contemplarmos o resultado no final. Sinceramente, eu torceria para que o nosso campeonato terminasse empatado: com belas árvores floridas que pudesse merecer a cada um de nós o mesmo troféu.
Os anos se passaram e, hoje vejo que as crianças, simbolicamente, tornaram-se belas e frondosas árvores.
O meu projeto da árvore natural ainda nem saiu dos primeiros esboços. Ando muito ocupado com as atuais atribuições deste segmento joia ao qual me dedico.
Alguns livros já escrevi. Este, já publiquei. Agora, só me falta plantar a primeira árvore. Qualquer dia desses planto uma... Nem que for uma bananeira.