CARA DE UM, JEITINHO DO OUTRO


O marcão fez questão de me comentar pessoalmente os digiscritos que faço no Blog “Paixões Místicas”. Se fosse outra pessoa eu iria até duvidar. Mas, tantos elogios partindo do Marcão, não há como não dar pontos positivos à sua sinceridade. Ele é mesmo assim; com tudo e com todos. Tem a sutileza e o charme de sua sabedoria elegante. Entre tantos, ou todos, que tiveram ou têm a sorte e o prazer de conhecê-lo, dão nota dez para o cara.
Conheci o Marcão no Correio do Gil Cabezas, lá na Boa Vista. Hoje, ele já está alcançando uma década noutra ACF. Se o Marcão é o cara que bebe na fonte das próprias palavras, certamente ele é plenamente feliz.
O Marcão é conterrâneo do Elano (seleção brasileira) e, incansavelmente, faz o trajeto Iracemápolis/ Limeira, de ida e volta, há mais de dez anos, para trabalhar no mais importante polo de folheados do Brasil.
Após tecer intermináveis e gratificantes incentivos pelas minhas ficções, nos despedimos e segui imaginando em como seria se o Marcão tivesse convivido com o Wanderlei; goianiense, gente finíssima, o mesmo jeitão do Marcos: de falar, gesticular, sorrir e elogiar... O Wanderlei, que estava iniciando no ramo de joias, passou uma média temporada no hotel pesquisando o mercado local. O Marcão e o Wanderlei, com certeza, firmariam uma relação de amizade muito estreita. Fariam uma inseparável dupla de sucesso tipo: Mandela e Tutu, arroz com feijão, café com leite...
O Wanderlei saía de manhãzinha do hotel e retornava após o pôr do sol, sempre junto com Vênus à Noroeste. Ambos brilhavam como a primeira grande estrela a dar o ar de sua graça nos céus daquele outono. O Wanderlei pedia uma “ampola” e ficava a contar-nos o seu dia, com o seu jeito peculiar, sempre regado de muito bom humor.
Numa dessas noitinhas, ele pediu a sua ampola para o mensageiro, novato, que não conhecia muito bem os seus hábitos e me perguntou:
— Onde eu pego a ampola dele?
— Na geladeira.
Logo ele voltou:
— Não tem nada lá.
— Deve ter acabado. Então, pegue no freezer.
Logo ele voltou. Outra vez, de mãos vazias.
— Lá, também, não tem nada.
— Não?! Não é possível. Claro que tem!
Fomos até lá, os dois, e peguei uma garrafa de brahma.
E o mensageiro:
— Ah, pensei que fosse uma injeção pra aplicar nas veias.
— E é. Só que ele aplica via oral. Daí percorre as veias e sobe pra cabeça.
Acho que essa é a única diferença entre o Marcão e o Wanderlei. O Marcão diz que não bebe. Só come.
Quando o Wanderlei voltou de vez pra Goiânia, já estava estabilizado no segmento de joias e, me mandou um cartão postal de lá. 
Legal, o cartão, Wanderlei!